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Riflessioni 2026-04-17 ProtoMedia

A forma das horas

Traduzido automaticamente do italiano · ler o original

Um pequeno elogio à duração

Há uma hora precisa, no final de agosto, em que a luz se apoia nas paredes como se estivesse pensando. Não é mais o sol alto da manhã, não é ainda o ouro morno da noite: é aquela suspensão do meio da tarde que no sul chamamos de contratempo, quando as ruas se esvaziam e a cidade parece ter concordado em diminuir o ritmo juntos.

Nesse intervalo, sento-me na varanda com um copo de leite de amêndoa e observo o tempo passar. Uso o verbo errado: o tempo não passa, vem. Chega, para um momento para ser observado, depois prossegue. Sou eu que o deixo ir.

Li em algum lugar — talvez fosse uma entrevista a um compositor russo, talvez fosse um sonho — que cada gesto feito com atenção muda a duração. Dois minutos gastos para servir o café com cuidado não são os mesmos dois minutos gastos esperando um semáforo. O tempo tem uma consistência: às vezes é áspero, às vezes liso, às vezes é tão lento que parece mel escorrendo de uma colher.

Pergunto-me se é possível projetá-lo. Não pará-lo — isso os fotógrafos fazem, e pagam o preço — mas modelá-lo, como se modela a madeira. Pegar uma hora qualquer e trabalhar nela até que tenha a forma que queremos.

Salvador Dalí — La persistência da memória
Salvador Dalí, La persistência da memória, 1931

Penso nas oficinas silenciosas, nos laboratórios isolados onde as máquinas aprendem a mover-se com a graça de um calígrafo. Um movimento repetido com a paciência de quem nunca tem pressa: automatismo, certamente, mas não por isso menos belo. Aliás, talvez mais belo, porque nunca se cansa. Um artesão experiente traça uma curva perfeita; um artesão que ensina essa curva a um mecanismo faz com que a trace mil vezes, dez mil vezes, idêntica, e a cada vez parece a primeira.

É este, creio, o sonho mais subtil: que a beleza possa repetir-se sem se perder. Que um ato elegante, uma vez compreendido, se torne perene.

Os filósofos antigos diziam que o ócio é pai da contemplação. Hoje o ócio nos assusta, enchemo-lo de notificações como uma cisterna que perde pelo fundo. Mas há outra possibilidade, menos conhecida e mais educada: deixar que sejam as coisas à nossa volta a ocupar-se de fluir, enquanto nós permanecemos parados a observar.

Tudo o que é belo abranda quem o observa. Um afresco, uma frase bem escrita, o perfil de um barco que retorna ao porto contra a luz. São engenhocas para nos roubar o tempo aos poucos, sem que nos apercebamos.

Termina a hora da contratempo. Do beco sobe o cheiro do jantar de outra pessoa, as persianas começam a bater novamente, a luz se move meio metro na parede. Olho para o copo vazio e percebo que não fiz nada de útil por duas horas. Também percebo que nunca estive tão descansado.

Talvez os sonhos não sirvam para fugir do tempo. Servem para nos ensinar que o tempo, se alguém tem paciência, se deixa moldar.

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